decifra-me ou devoro-te
Decifra-me ou devoro-te nasce do processo de construção de Meu Tempo é Quando, realizado em 2012. Para escrever a frase, correntes de aço foram quebradas e posteriormente soldadas em forma de letras. Antes matéria de vínculo e aprisionamento, a corrente é convertida em linguagem: é preciso rompê-la para que possa escrever.
- técnica
- fotografia, impressão UV sobre chapa de aço e gravação a laser seletiva
- dimensões
- variáveis
- ano
- 2012 — 2026
- local
- —

As fotografias não registram apenas as correntes ou as letras já formadas. Voltam-se para aquilo que o processo deixou sobre a pedra utilizada como base de soldagem. O fogo que reúne também queima, escurece, funde e altera a superfície. Permanecem halos de calor, fuligem, resíduos, fissuras e deformações — uma escrita involuntária produzida pelo próprio gesto de transformação.


A corrente escreve.
O fogo inscreve.
Retomadas em 2026, essas imagens são transferidas para chapas de aço por impressão UV e gravação seletiva. Em determinadas áreas, a própria superfície metálica permanece aparente; em outras, a imagem é fisicamente marcada. A fotografia deixa, assim, de apenas representar uma cicatriz e passa ela mesma a carregar uma inscrição.
A obra desloca a ruptura da ideia de um acontecimento instantâneo. Não basta partir. Não basta quebrar. Entre aquilo que se rompe e aquilo que se recompõe existe um processo — e todo processo modifica a matéria.





A pedra torna-se suporte, testemunha e arquivo. O que permanece não é apenas a corrente transformada em palavra, mas a cicatriz do gesto que a transformou.
- técnica
- fotografia, impressão UV sobre chapa de aço e gravação a laser seletiva
- dimensões
- variáveis
Toda ruptura tem um processo.
Todo processo deixa uma cicatriz.
Toda cicatriz é uma forma de permanência.